terça-feira, 28 de junho de 2011

Evento exalta luta de jornalistas contra ditadura militar

Testemunhos de jornalistas da época foram reunidos em 12 DVDs lançados durante evento 
São Paulo – Foi lançado nesta segunda-feira (27) em São Paulo, no Museu da Resistência, uma coletânea com 12 DVDs, elaborados pelo Instituto Vladimir Herzog, contendo depoimentos de jornalistas que fizeram parte da imprensa alternativa e de enfrentamento ao regime ditatorial no Brasil, entre 1964 a 1979. No total foram colhidos 60 entrevistas e depoimentos daqueles que, segundo Ivo Herzog, tiveram “atuação heróica para o Brasil”.
Nomes que marcaram a atuação da imprensa, além de autoridades políticas, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, estiveram presentes no evento organizado por Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975. O ex-ministro da Comunicação Social do governo Lula Franklin Martins ressaltou a importância de toda a imprensa combativa.

“Esse evento resgata uma parte importante da luta contra a ditadura que foi a resistência da imprensa, não somente dos grandes jornais, mas também da imprensa de bairro, dos sindicatos, da imprensa estudantil, das organizações políticas, de organizações não governamentais, dos partidos, mais tarde a imprensa no exílio, na clandestinidade. Foram inúmeras modalidades de comunicação que resistiram à ditadura”, afirmou o ex-ministro.
Martins ainda ressaltou que “os depoimentos irão passar a impressão de uma imprensa que não foi somente vítima da censura e da ditadura, e sim de uma imprensa que construiu a democracia no Brasil”.
O jornalista José Luiz Del Royo, que participou da luta armada contra o regime militar, contou que “quase todos os entrevistados sofreram tortura violenta durante a ditadura”. Ele lembra que “o trabalho do jornalista que se opunha ao regime ditatorial era uma luta diária, porque aquilo que era um trabalho corriqueiro se transformava em um fato heróico”.
Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo durante a ditadura, Audálio Dantas recordou que o assassinato de Vladimir Herzog foi um fato marcante para o processo de redemocratização. “No dia seguinte à morte do Herzog, o Sindicato dos Jornalistas publicou uma nota responsabilizando as autoridades militares por este fato. Pois os militares tinham o ex-jornalista sob sua guarda, portanto eram responsáveis pela vida dele”, conta Audálio.
Ainda sobre a imprensa alternativa, Franklin Martins explica que esse mecanismo não chegou ao fim com a redemocratização. “Os blogs e portais na internet também são uma imprensa alternativa.” De acordo com ex-ministro, “quando a sociedade não está satisfeita com o que ela tem na imprensa, ela busca e constrói formas alternativas de se comunicar".
Durante a breve apresentação de trechos dos depoimentos dos “Protagonistas desta História”, Gilberto Kassab, que foi alvo de vaias do público, saudou os organizadores do evento e destacou que “as pessoas que dão a sua vida pela democracia, ajudaram o Brasil a conquistar a liberdade que vive hoje”.

Por: Raoni Scandiuzzi, Rede Brasil Atual

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“Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada. É tempo de meio silêncio, de boca gelada e murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina.”
Carlos Drumond de Andrade