sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A última mentira do Cabo Anselmo

Por: Urariano Mota
José Anselmo dos Santos, ou Daniel, ou Jadiel, ou Jônatas...  ou mais simplesmente Cabo Anselmo, se apresentou no Roda Viva na última segunda-feira. Como já se esperava, ele esteve muito à vontade, porque os entrevistadores não pesquisaram a história dos seus crimes, e se fizeram esse indispensável dever, não quiseram levá-lo às cordas, para confrontar as suas esquivas com os depoimentos de testemunhas de 1973, ano das execuções de 6 militantes socialistas no Recife.
O momento mais acintoso foi quando ele se referiu à sua mulher, Soeldad Barrett, e dela retirou a gravidez, para se isentar de um hediondo crime, que cai como um acréscimo àtraição de entregá-la para a morte.  

Observem-no aqui neste momento, a partir do minuto 22.05 até 22.42.
Transcrevo:
“Cabo Anselmo - A Soledad usava DIU, desde que fez um aborto aqui em São Paulo, antes da ida para o Recife.
Entrevistador -  O senhor contesta a gravidez da Soledad?
Cabo Anselmo - Como?
Entrevistador - O senhor contesta que ela estivesse grávida, como a versão histórica ...
Cabo Anselmo - Se eu acreditar, como dizem os médicos, que o DIU era o mais seguro dos preservativos, eu contesto, sim.
Entrevistador - Então o feto encontrado lá não era dela?
Cabo Anselmo - Eu imagino que seria da Pauline. A Pauline estava grávida, inclusive teve problema de gravidez, e Soledad a levou até o médico.”    
Não vem ao caso agora observar que ele ganha tempo para responder, quando finge não ouvir bem e pergunta “Como?”. Importa mais agora confrontá-lo com três depoimentos históricos. No primeiro deles, e mais impressionante, a advogada Mércia Albuquerque assim declarou na Secretaria de Justiça de Pernambuco, em 1996:
“Soledad estava com os olhos muito abertos com expressão muito grande de terror, a boca estava entreaberta e o que mais me impressionou foi o sangue coagulado em grande quantidade que estava, eu tenho a impressão que ela foi morta e ficou algum tempo deitada e a trouxeram, e o sangue quando coagulou ficou preso nas pernas porque era uma quantidade grande e o feto estava lá nos pés dela, não posso saber como foi parar ali ou se foi ali mesmo no necrotério que ele caiu, que ele nasceu, naquele horror”.  
No segundo deles, a dona da butique em Boa Viagem, onde foram presas Soledad e Pauline , lembra que em 1973 Soledad lhe dissera que iria viajar para rever a única filha, antes de dar à luz, porque estava grávida. Isso foi falado à testemunha dias antes da  execução dos socialistas em janeiro, numa conversa íntima entre mulheres. Soledad estaria louca ou a dona da butique estaria inventando histórias?  E agora, por fim, prestem bem atenção no que lembra um professor de história do Recife: Soledad e Anselmo foram vistos na Rua das Calçadas, no Recife, a comprar roupinhas de bebê. Que lindo e canalha, não?  Será que estariam então todos enganados a fantasiar a gravidez de Soledad, somente para incriminar o pobre Anselmo?
Ontem no Roda Viva o Cabo Anselmo cometeu a sua mais escabrosa mentira. Transferiu a gravidez da mulher para outra morta. E todos os repórteres, entrevistadores, apresentador calaram diante da eloqüência do velho traidor. O DIU, dizem os médicos, tem apenas 0,1% de falha. Já um agente duplo nunca nega fogo: é 100 % mentiroso.

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“Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada. É tempo de meio silêncio, de boca gelada e murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina.”
Carlos Drumond de Andrade