sábado, 21 de abril de 2012

Familiares do jornalista Edson Régis de Carvalho vão entrar com um pedido de indenização de R$ 7 milhões.

Os últimos crimes políticos, que não tiveram investigação, cometidos na época da ditadura militar-civil (1964-1985) no Brasil devem “invadir” os tribunais de justiça este ano. Depois da presidente Dilma Rousseff anunciar, o processo de escolha dos membros da Comissão da Verdade (que deve analisar os arquivos da ditadura), vítimas do regime começam a se mobilizar para garantir o “reconhecimento” do estado.
Hoje, após uma coletiva de imprensa no escritório de advocacia Farias & Silva, os seis filhos do jornalista Edson Régis de Carvalho anunciaram que vão entrar com um pedido de indenização de R$ 7 milhões no Ministério da Justiça, na próxima terça-feira (24), em Brasília. Edson era secretário de governo e foi morto no dia 25 de julho de 1966, após um atentado a bomba no Aeroporto Internacional dos Guararapes, quando esperava o então “candidato” a presidente Costa e Silva.
O jornalista, que também era procurador federal, estava à serviço do governo. Não foi vítima de perseguição da ditadura (até porque não era militante político), mas perdeu sua vida por conta do clima de insegurança instalado naquele período histórico. O filho do jornalista, Flávio Régis, destaca que não existe uma motivação financeira no caso.
“Foi um crime que não teve uma investigação séria e até hoje não sabemos quem é o responsável. Quando eu era criança, as pessoas perguntavam como meu pai tinha morrido, eu dizia que foi de bomba”, pondera. Segundo ele, o valor da indenização deve ser distribuída entre a viúva e os seis filhos do repórter.
A ação, segundo o ex-deputado estadual Pedro Eurico, que é um dos advogados do processo, é inédita em todo o país. Até porque nunca foi julgado um processo das “vítimas indiretas” do regime. Ou seja, pessoas (seja dentro ou for a das Forças Armadas) que foram perseguidas pelo estado. “Foi amigo dos filhos do jornalista na minha infância. Não é uma questão financeira, é um reconhecimento histórico de um crime que nunca foi esclarecido”, defendeu.

Por Tércio Amaral, da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

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“Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada. É tempo de meio silêncio, de boca gelada e murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina.”
Carlos Drumond de Andrade