terça-feira, 8 de maio de 2012

Sem provas, ex-delegado fala em dez corpos incinerados na Usina Cambahyba


Paranóia delirante ou marketing de vendas?

O advogado Jorge Lysandro Ribeiro Gomes, filho do ex dono da usina Cambahyba, Sr. Heli Gomes Ribeiro diz, revoltado, que do livro “Memórias de uma Guerra Suja”, de Cláudio Antônio Guerra, na realidade é uma coletânea de absurdos mirabolantes. 
O lançamento do livro “Memórias de uma Guerra Suja”, de Cláudio Antônio Guerra, na realidade uma coletânea de depoimentos do ex-delegado da Polícia Civil do Espírito Santo concedidos aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, trazendo denúncias sobre crimes da ditadura e suposta incineração de corpos em usina campista, caiu como uma bomba em Campos.

Duas décadas depois dos mirabolantes fatos descritos, o empresário e dono da Usina Cambahyba, Heli Gomes Ribeiro, já falecido e sem chances de se defender, sofre graves acusações do ex-delegado do DOPS, Cláudio Guerra, em seu livro. Segundo o ex-agente da ditadura militar, o industrial campista teria colaborado com os militares no sumiço dos corpos de cerca de 10 militantes de esquerda, em 1973, que teriam sido incinerados nos fornos da usina Cambahyba.

Só mesmo uma profunda e isenta investigação poderá provar serem mentiras, verdades ou delírios suas fantásticas afirmações. Afinal, a palavra de um criminoso confesso dessa estatura e periculosidade não poder ser levada ao pé da letra como verdade sem provas concretas que efetivamente as avalizem.

A família do industrial campista Heli Ribeiro Gomes, representada por seus filhos ainda vivos, nega completamente qualquer veracidade nessa história. Em depoimento à equipe da Somos, um dos filhos de Heli Ribeiro, o advogado Jorge Lysandro Ribeiro Gomes, diz, revoltado, que tudo isso é um absurdo. “Que barbaridade! Que negócio completamente absurdo. Eu nem sei ainda o que responder! Não acredito como se fala isso de uma indústria em que trabalhavam 300 pessoas dia e noite, não havia como acontecer isso sem que ninguém visse. É completamente impossível, inimaginável. Meu pai nunca concordaria como uma coisa dessas. Meu pai andava no meio do povo. Não era o tipo de gente que se permitia admitir isso. Meu pai era ‘desassustado’ (sic). Passava com a sua Rural em qualquer estrada e parava para dar carona a qualquer pessoa. Não havia como fazer uma coisa dessa despercebido. A usina funcionava com centenas de funcionários, dia e noite. Isso é um delírio! Coisa de um maluco desses. Quem conhece o funcionamento de uma indústria de açúcar, sabe que isso não é possível. Só mesmo quem nunca viu para falar uma bobagem dessas. Toda a minha família vai sofrer com isso”, finalizou. 

Ficha corrida de assustar 
O autor do livro “Memórias de Guerra Suja”, Cláudio Guerra (71 anos), apresenta uma vida pregressa das mais extensas e movimentadas. Ele é ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e da polícia Civil do Espírito Santo e se prepara para virar pastor de igreja após declarar ter se arrependido de todos os seus pecados. E eles são muitos. Guerra é acusado de formação de quadrilha, tráfico de drogas, tortura, homicídios, roubo de armas, de chefiar grupos de extermínio, e até de desviar dízimos de igreja. Além disso, ele foi condenado a 42 anos de prisão, em regime fechado, por um atentado a bomba, ocorrido em agosto de 1982, no centro de Vitória, e condenado a 18 anos de prisão sob a acusação de assassinato da própria esposa, Rosa Maria Cleto, e da cunhada, Glória Maria Cleto, em 1980. Uma ficha corrida de assustar. 

Paranóia delirante 
No livro, Claudio Guerra toma para si ares do famoso agente inglês da ficção de espionagem James Bond, afirmando ter recebido do Estado brasileiro carta branca para “julgar, torturar, matar e desaparecer com o corpo” dos militantes de esquerda. A mesma “licença para matar” atribuída pelo escritor Ian Fleming ao personagem 007. Guerra se coloca como protagonista ou testemunha de quase todos os episódios polêmicos da ditadura. Um personagem ubíquo, quase um Forrest Gump que emerge do livro, chega até 1989, quando diz que sua “comunidade” pôs panfletos da campanha do petista Luiz Inácio Lula da Silva no local em que o empresário Abílio Diniz foi sequestrado, em São Paulo. 

Nada a perder 
As denúncias sobre queima de corpos em Cambahyba devem ser vistas com muita cautela. O denunciante, o ex delegado Cláudio Guerra, do Dops, como se vê na reportagem, é ex- matador da ditadura, condenado a 42 anos por atentado a bomba, recorrendo no STF a uma sentença de 18 anos acusado de ter matado a esposa e a cunhada, também é acusado de tráfico de drogas, desvio de dinheiro de igreja e mais sabe-se lá quais atrocidades. Sem apresentar nenhuma prova do que está dizendo, com 71 anos de idade, ele agora parece estar atirando a esmo para promover um grande golpe publicitário em torno do seu livro e garantir com as vendas algum conforto para passar a velhice na prisão, quando sair o resultado definitivo do STF sobre os assassinatos da esposa e da cunhada, com enormes possibilidades de deixá-lo apodrecendo atrás das grades. Enquanto isso, sem provas além da sua descredibilizada palavra, ele vai fazendo mais vítimas em sua trajetória, entre elas os filhos, netos e bisnetos de Heli Ribeiro Gomes. Esse caso poderá acabar na esfera judicial, mas o que se pode fazer contra quem não tem nada a perder? 

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“Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada. É tempo de meio silêncio, de boca gelada e murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina.”
Carlos Drumond de Andrade