sexta-feira, 15 de abril de 2011

Abaixo-assinados contra e a favor aumentam repercussão de 'Amor e revolução', do SBT

Márcia Abos
Postado por Dag Vulpi 15/04/2011 17:47
Cena da novela 'Amor e revolução'. Foto: Lourival Ribeiro/Divulgação SÃO PAULO - Foi por acreditar que "Amor e revolução" pode "instigar ainda mais a sociedade contra as Forças Armadas" que o suboficial da reserva da Aeronáutica, José Luiz Dalla Vecchia, de 70 anos, criou um abaixo-assinado contra a exibição da novela do SBT, narrativa de ficção que tem como pano de fundo a História recente do Brasil, entre 1964 e 1972, durante a ditadura militar.
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— Na ativa, está a terceira geração de militares. Eles não tem nada a ver com o que aconteceu nas décadas de 60 e 70. A maioria dos oficiais daquela época já morreram — diz Dalla Vecchia, que chama o golpe militar de contra-revolução — Se as Forças Armadas não tivessem agido, o Brasil seria hoje a China - acredita o militar.
Dalla Vecchia, que vive em Belo Horizonte e é secretario da Associação Beneficente dos Militares Inativos e Graduados da Aeronáutica, explicou que criou a petição na internet em nome de sua associação. No entanto, nem mesmo ele acredita que o documento a ser encaminhado ao Ministério Público Federal será capaz de tirar a trama do ar. O abaixo-assinado dos militares motivou a criação de um outro abaixo-assinado a favor da novela pelo grupo Documento Ditadura .
— O abaixo-assinado está muito fraco. Foi criado poucos dias antes da estreia da novela e não poderia ter efeito algum — avalia Dalla Vecchia - Mas espero que estimule militares de altas patentes na ativa a se manifestar em relação à novela. Até porque só eles e nós reservistas podemos ir a público expressar nossas opiniões _ explica.
No texto de apresentação da petição pública, Dalla Vechia escreveu que a novela "trata de um acordo firmado com Silvio Santos, visando o saneamento do Banco Panamericano do próprio empresário". A correlação entre o programa de TV e o Panamericano tem sido feita por muitos militares, inclusive em blogs, mas o suboficial reconhece não ter provas.
— Isto é um boato, uma suposição. Se for o caso, cabe ao Ministério Público investigar — acredita Dalla Vecchia.
Autor de "Amor e revolução", Tiago Santiago diz que a acusação é "esdrúxula". O novelista afirma que a novela foi aprovada pelo SBT quatro meses antes da crise e venda do Panamericado.
— Censura é inconstitucional. Esta movimento contra "Amor e revolução" só interessa a quem cometeu crimes e não quer que eles sejam mostrados — diz o escritor.
A jornalista Denise Fon, integrante da Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (ACAT), lamentou a criação do abaixo-assinado.
— Se algum lado se sente prejudicado com a novela, deveria pedir o direito de dar sua opinião, em vez de tentar impedir a exibição da novela — acredita Denise, que assim como mais de 70 militantes de esquerda, deu seu depoimento à produção da novela para exibição ao final de cada capítulo.
Segundo Santiago, a produção esforça-se desde janeiro para gravar depoimentos de militares e apoiadores do golpe. No entanto, a maioria tem recusado. O autor conta que chegou a oferecer ao coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra (ex-comandante do DOI-Codi, acusado de tortura e assassinatos) a possibilidade de ver seu depoimento editado antes da exibição. Ainda assim, Ustra preferiu não falar. Até agora, foram gravados e exbidos os depoimentos de Jarbas Passarinho, que foi ministro durante a ditadura, e do oficial de reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió, um dos responsáveis pela repressão à Guerrilha do Araguaia.
Crítica de TV e professora da Universidade de São Paulo, Esther Hamburger reconhece que é um desafio tratar da história recente do Brasil em uma telenovela, mas diz que a narrativa não foi capaz de sensibiliza-la.
— Apesar da iniciativa ousada, o começo de "Amor e revolução" é fraco dramatúrgica e historicamente. A repercussão na internet com os abaixo-assinados pode melhorar a audiência. No entanto, para a novela dar certo é preciso que a narrativa seja capaz de gerar empatia. O que vi até agora foi uma sucessão de cenas de tortura, quase um inventário de formas de tortura em diferentes cenários, e de amor. Faltou mostrar a militância em ação _ analisa a especialista.

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