domingo, 17 de abril de 2011

A Ditadura ao PROLETARIADO - Massacre ELdourado dos CARAJAS 15 anos de IMPUNIDADE -

Hoje ,17 de abril, faz 15 anos do massacre dos Sem Terra em Eldorado dos Carajás, no Pará. Na madrugada insone, me voltou ao cérebro as imagens do ”pesadelo” que tive no ano passado sobre os trabalhadores massacrados na construção de Brasília. Repito, aqui no Orkut o “sonho” da morte dos candangos e ligo a massacres contra o povo brasileiro.
1.
Começo com o “sonho meu” em meados do ano passado.Como Dom Bosco,o santo,que profetizou a construção de Brasília, eu fui arrebatado durante o sono. Mas ao contrário do Dom, não vi o futuro : voltei pro ano de 1959, pro mesmo lugar que Dom Bosco apontou : Brasília. Vi um acampamento de operários que jogavam fora a comida servida como almoço.Gritavam que a comida estava estragada e queriam respeito. Pois estavam construindo a nova capital do Brasil. O capataz da obra avisou pros engenheiros, que avisaram pros donos da construtora :e os empresários avisaram pra polícia que queriam uma pronta ação:“Os operários vieram aqui trabalhar.Fazer greve...Não!Chegam do Nordeste passando fome e ainda acham ruim a ração ?Isso é subversão!”Eu no “sonho” vi no chão a comida e os operários irritados.Vi porcos cheirando e recusando a comida dos peões.Hora e meia depois chegaram os policiais bem armados para atender aos empresários. Chegaram já metralhando quem corria e quem ficava.Entraram em cada lona e os que estavam deitados ali mesmo ficavam.Até um operário, , de sono mais pesado,nem com o barulho dos tiros despertou.O soldado não hesitou: bala na cabeça do homem que sonhava, que ali ali mesmo ficou junto com o sonho dele. Que não acabou,continuou. E eu vi que o sonho dele sonhava, com goiabada e queijo coalho, com macaxeira e carne de sol. Ele, a mulher e os filhos, ao redor de uma mesa farta. Longe,bem longe de Brasília, num sertão nordestino.
Uma tuia de mortos, mais de 100, mais de 200, falam até em 300!Trezentos mortos! Os candangos mortos, empilhados. Um trator abriu a vala, e os corpos foram jogados. Alguns ainda gemendo. Mas logo silenciavam com tiro de revólver ou rajada de metralhadora. Depois coberta de terra a vala comum serviu de alicerce pra um dos prédios da nova capital.
2.
E eu via que os peões tinham a cara de Marighela, Lamarca, Toledo, Stuart Angel, Vladimir Herzog , Miguel Filho, Jarbas Pereira Marques, Iara, Odijas,Eudaldo, Fernando Santa Cruz, Soledad Barrett, Pauline Reischuel, Evaldo, Miguel Filho, e muitos operários e trabalhadores rurais que só 13 anos depois começariam a morrer no combate à opressão : torturados,metralhados, fuzilados, ou então jogados no mar. Muitos desapareceram para sempre, enterrados nas matas do Araguaia, na Chapada Diamantina, nos fornos de usinas de açúcar, por debaixo das pistas de aeroportos modernos ou,quem sabe, nos alicerces dos prédios granfinos, já que era a época do boom” imobiliário da ditadura civil-militar.
3.
Acordei lembrando tudo. Não foi pesadelo somente meu, tudo assim aconteceu. Em 1959,era de JK, no silêncio do Planalto, onde ficaram em silêncio os ancestrais dos sem terra assassinados no massacre de Eldorado dos Carajás,no Pará, em 1996, era de FHC. Mais de 20 sem-terra assassinados. Seis foram mortos na hora em que a polícia avançou atirando. Outros 13 foram perseguidos na mata, torturados, e mortos com tiros à queima-roupa depois que gritavam “viva a reforma agrária”. Mais de 70 trabalhadores foram feridos na hora dos disparos da polícia e o número de mortos logo subiu para 22. Os que sobreviveram , feridos gravemente, sofrem até hoje seqüelas que os impedem de trabalhar. Os PMs obedeceram ordens de quem para fazer um massacre tão calculado?Disparo contra os manifestantes, perseguição dos que fugiram para mata, tortura e morte à queima-roupa. Uma ação planejada contra o povo.
Quem planejou e mandar torturar e matar ? Os canalhas de sempre, o coágulo que não se dissolve, o poder que mantém a “governabilidade”, a base de apoio de um “governo popular”. Como diz Ernesto Che Guevara nos seus escritos apócrifos:”Há sempre um poste no meio do caminho”.

RobertoMenezes - Cineasta, Jornalista ex- preso Politico
e-mail de trabalho: robertomenezes.rm@gmail.com

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“Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada. É tempo de meio silêncio, de boca gelada e murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina.”
Carlos Drumond de Andrade