segunda-feira, 4 de abril de 2011

Deslize Ou Impunidade?


Marco Lisboa Eu considero que o discurso de Lula, ao se despedir do governo, afirmando sobre os militares que eles não poderiam ser julgados por "um ou outro deslize" foi uma senha para assegurar que não haveria punição para os torturadores. Dilma tem se distanciado discretamente de seu antecessor. Vamos ver se ela se dispõe a ir além nessa questão. Quando vejo as postagens de jovens na internet sobre o regime militar (aqueles que não são de organizações de esquerda) vejo como é profundo o desconhecimento sobre a nossa história recente. Este resgate deve envolver escolas, meios de divulgação, entidades de massa, buscar um público muito amplo. Minha mulher é bibliotecária de um colégio de elite de BH. Ano passado o tema da semana do livro foi o regime militar. Acho que devemos ocupara estes espaços. Eu pretendo fazê-lo lançando meu livro sobre a guerrilha do Araguaia.
Alderijo Bonache Muito oportuno você lançar luz sobre o triste episódio da guerrilha do Araguaia!
Marco Lisboa Vários amigos meus morreram lá. Por incrível que pareça, a insurreição de 35 é muito mais documentada e divulgada do que a guerrilha. O próprio regime considerou que ela foi a ameaça mais séria que houve à sua existência. Durou 3 anos, envolveu o deslocamento de milhares de soldados, a construção de quartéis e estradas na área e colocou em má situação os militares perante os investidores internacionais. Durante a década de 70 prevalecia a teoria Kissinger do efeito dominó. Houve a derrota dos americanos no Vietnã, a libertação das colônias portuguesas na África, a própria revolução dos cravos, enfim durante um momento parecia que o imperialismo balançava. O mundo viveu uma grande crise (crise do petróleo e estagflação). Infelizmente, não foi a saída revolucionária que prevaleceu.
Geraldo Dantas Poderoso O ex-presidente Lula, foi um sindicalista que chegou a ao poder, porém Dilma é uma revolucionária, e como tal tem outra mentalidade política.
Fernanda Tardin Marcos, com atraso chego a tempo de ver mais um capitulo desvendado por quem viveu a época.
Fernanda Tardin " Durante a década de 70 prevalecia a teoria Kissinger do efeito dominó." sei que é teoria econômica, mas não sei o que é.
Marco Lisboa Poucos dias atrás, o PC do B publicou uma nota de protesto de um dirigente do Pará, repudiando as ameaças que os membros da comissão que participa da busca dos corpos estavam sofrendo. A hora de agir é agora. Dilma tem todas as condições de fazer um gesto concreto. A região da guerrilha até hoje sofre a influência de Curió e dos militares interessados em encobrirem as execuções de prisioneiros indefesos. Um pronunciamento seu poderia mudar isto.
Marco Lisboa A teoria do dominó era aplicada no Sudeste Asiático. Dizia que se o Vietnã caísse, cairia o Laos, depois o Camboja, depois a Tailândia, e assim por diante. Ela justificava o papel de policia americano.
Fernanda Tardin Se tomarmos por base o fato que Nixon citou: “Por onde caminhar o Brasil, caminhará a AL", podemos observar que o Araguaia foi estratégico e que continua sendo?
Fernanda Tardin estaria assim atual a teoria do dominó? ( gosto de fazer a relação da história , até mesmo como alerta )
Geraldo Dantas Poderoso Prisão de Curió, chefe da repressão no Araguaia, não é um sinal que Dilma esteja mexendo os pauzinhos?
Marco Lisboa Durante a segunda campanha, o Estadão conseguiu publicar uma reportagem sobre a guerrilha. Os milicos endoidaram quando saiu no NY Times que havia uma guerrilha no Brasil. Eles mudaram a abordagem na terceira campanha, onde deixaram de lado... as campanhas assistenciais que buscavam ganhar o apoio da população. Os chineses usavam uma metáfora: o guerrilheiro está no meio do povo como o peixe na água. Os milicos trataram de tirar a água. Prenderam todos os apoiadores da guerrilha, queimaram suas plantações, torturam indiscriminadamente e deixaram os guerrilheiros sem apoio.
Marco Lisboa A teoria do dominó era aplicável num contexto de guerra fria. Não é que o imperialismo mudou o que mudou foi a correlação de forças. Hoje as grandes potências (Rússia, Europa, China e USA) competem e cooperam sem contradições antagônicas. Na Líbia, Rússia e China cruzaram os braços e deixaram as mãos livres para a Otan e os EUs. O modelo colonialista e neocolonialista está ultrapassado. Hoje em vez de se mandarem os marines, mandam-se os banqueiros.
Fernanda Tardin Mas a região continua sofrendo 'investimentos' estrangeiros para , no meu entendimento, permanecerem dominando a exploração dos recursos naturais e tb. para vigiar (facilitar) as fronteiras de outros países ( bolivarianos principalmente) explorados em ditaduras?
Marco Lisboa Na época da guerrilha, a exploração de minérios na região era muito pequena. A região do bico do Papagaio, onde houve a guerrilha, está muito longe das fronteiras. A guerrilha colombiana está num beco sem saída. Eu não acredito que haja interesse numa ocupação militar desta região. A mata amazônica é muito densa e somente pequenos aviões (tipo os tucanos) são úteis para monitorar fronteiras. Hoje os capitais estrangeiros acessam qualquer recurso que queiram em qualquer parte do mundo, sem a necessidade de ocuparem a região. A própria Líbia comercializava a maior parte de seu petróleo com a Europa.
José Rodrigues Peço aos amigos que não considerem esta postagem pois não a conclui
Fernanda Tardin Desculpa aqui começa a chover e trovejar, tenho que desligar por causa dos piques de Luz. Amanha tomarei a liberdade de ajuntar as postagens resgates e posta-las. Continuem, pelo direito a verdade e a memória.
Paulo Oisiovici Sou professor de História e Filosofia no Colégio Estadual Duque de Caxias, em Correntina-BA. Trabalho com turmas do ensino médio. Tenho trabalhado dentro do possível para o resgate desse acontecimento recente da nossa História e levá-lo ao conhecimento dos jovens. Considero esse estudo imprescindível para que ela não se repita...
Marco Lisboa Eu acho muito importante este trabalho. A memória é um patrimônio nacional. Infelizmente, a despolitização é um fenômeno mundial. Hoje chegamos ao ponto em que as grandes agremiações de esquerda e de direita, institucionais, convergem em seu discurso. Na Europa, a social democracia e o neoliberalismo já se confundiram totalmente.

Fonte: Debate bate papo no facebook grupo "Documentando a Ditadura"

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“Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada. É tempo de meio silêncio, de boca gelada e murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina.”
Carlos Drumond de Andrade