terça-feira, 19 de abril de 2011

Ministério Público Federal nega pedido dos militares para tirar a novela Amor e Revolução do ar

Postagem Dag Vulpi 19/04/2011 20:42

Autores do golpe de 1964 estão insatisfeitos com a veiculação dos anos de chumbo na TV

Antes mesmo de sua estreia, a novela Amor e Revolução (SBT) já prometia polêmica. Afinal de contas, ela aborda um dos mais polêmicos períodos da história nacional: a ditadura militar que imperou no país entre 1964 e 1985.

Pois mal estreou, e a novela foi ameaçada por um pedido feito por um grupo de militares ao Ministério Público Federal. Eles querem que a trama escrita por Tiago Santiago seja retirada do ar. O motivo? Os militares não estão de acordo com o modo que são mostrados na novela.

Nesta segunda (18), o MPF resolveu arquivar o pedido contra a exibição da novela Amor e Revolução, feito por meio de abaixo-assinado apresentado ao órgão federal pelo Portal Militar.

Segundo o MPF, "não foram aprensentados elementos mínimos para justificar a investigação" da novela.

Os denunciantes militares afirmam que a exibição da telenovela faz parte de um suposto acordo entre a Comissão da Verdade [que busca deixar claro os crimes cometidos durante a ditadura, como a prática de tortura, abordada no folhetim] e o SBT. Os militares acusam o empresário Sílvio Santos de receber auxílio do governo federal para sanear suas dívidas, em troca da novela. O abaixo-assinado ainda acusou a trama de descumprir a Lei da Anistia, que perdoou os crimes cometidos tanto pela direita quanto pela esquerda nos anos de chumbo.

Em seu parecer pelo arquivamento do pedido, o procurador da República Peterson de Paula afirmou não encontrar prova das acusações.

- Conjecturar que a teledramaturgia será exibida em troca de negociatas, objetivando desqualificar a imagem das Forças Armadas, pode ser tão nocivo quanto censurar o folhetim, pois, efetivamente, tolhe-se direitos de envergadura constitucional, ferindo o princípio da liberdade de expressão.

Ainda de acordo com o MPF, o pedido de arquivamento será agora analisado pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, como prevê a Lei Complementar 75/93.

Em conversa recente com o R7, o diretor da novela, Reynaldo Boury, disse que o objetivo da trama é "mostrar os dois lados" e que estava "aberto à participação dos militares nos depoimentos que encerram cada capítulo da novela". Antes da estreia, nenhum militar aceitou falar. Por isso, a grande maioria dos depoimentos apresentados são de representantes da esquerda, como o da jornalista Rose Nogueira, barbaramente torturada. Nesta quarta-feira (20), José Dirceu, ex-militante estudantil e atual político do PT (Partido dos Trabalhadores), dará seu depoimento.

Mestre em sociologia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o autor da novela, Tiago Santiago, afirmou ao R7 que pretende ser o mais fiel possível aos fatos reais e que basei sua história em minuciosa pesquisa. Ele enfatizou que, por ser defensor dos direitos humanos, em seu enredo, "torturador será sempre vilão".

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