quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Para Dilma, dom Paulo foi 'facho de luz' para quem lutava contra ditadura

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff considera que dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, que cumpre 90 anos nesta quarta-feira (14), foi “um facho de luz e de esperança para todos os brasileiros que não se conformavam com o regime de arbítrio e as perseguições políticas” promovidas pela ditadura (1964-85).
A pedido da Rede Brasil Atual, a presidenta escreveu uma declaração em homenagem ao “cardeal dos trabalhadores” na qual enfatizou o papel fundamental de dom Paulo em um “momento crucial da vida política do nosso país.
O franciscano chegou a São Paulo como bispo auxiliar em 1966, e em 1970 assumiu o comando da Arquidiocese, quando começou a atuar de maneira central na luta contra as violações aos direitos humanos e às mortes comandadas pela repressão. Entre outras coisas, comandou a criação da Comissão Justiça e Paz, que passou a denunciar dentro e fora do país as torturas e os assassinatos. Além disso, deu respaldo ao projeto Brasil Nunca Mais, que montou o primeiro retrato sistemático das violações cometidas nos aparelhos repressivos e denunciou o nome de 444 agentes do regime.
Dilma, por sua vez, militou em grupos de resistência à ditadura, e acabou presa e torturada em 1970. Durante dois anos, passou pela Operação Bandeirante (Oban) e pelo Presídio Tiradentes, em São Paulo, dois dos lugares sobre os quais dom Paulo concentrava sua atuação na tentativa de evitar que os agentes da repressão realizassem torturas e cometessem assassinatos. Na sede da Oban, em 1975, foi morto o jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, o que resultaria em um dos episódios simbólicos da ditadura. Para muitos, o ato ecumênico convocado por dom Paulo para a Catedral da Sé, marco-zero da capital paulista, transformou-se no início da queda do regime. Para Dilma, a trajetória transforma dom Paulo em "um líder religioso de expressão mundial".
Confira a íntegra, a declaração da presidenta por ocasião dos 90 anos do arcebispo.

Nota da presidenta Dilma Rousseff

"Quero cumprimentar dom Paulo Evaristo Arns, líder religioso único, pela passagem de seu nonagésimo aniversário. Homenageio o sacerdote que, num momento crucial da vida política do nosso país, foi um facho de luz e de esperança para todos os brasileiros que não se conformavam com o regime de arbítrio e as perseguições políticas e sonhavam com um Brasil livre e mais justo socialmente. Parabenizo D. Paulo, que empregou suas energias na batalha pela liberdade, na defesa dos direitos humanos, acolhendo e protegendo os perseguidos pela ditadura, na ajuda ao povo pobre, em prol de seus direitos de cidadania, e no combate às desigualdades sociais. Minhas saudações ao Arcebispo Metropolitano de São Paulo que defendeu os líderes sindicais nas greves, deu apoio decisivo aos movimentos contra a alta do custo de vida, contra o desemprego e pelas eleições diretas. Toda essa trajetória faz de D. Paulo Evaristo Arns um líder religioso de expressão mundial."
Dilma Rousseff, Presidenta da República Federativa do Brasil

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“Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada. É tempo de meio silêncio, de boca gelada e murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina.”
Carlos Drumond de Andrade